Medo de existir

Apenas o Medo Morre

O medo surge
E eu caminho
Sinto o corpo a querer sair de mim
A querer fugir para todos os sítios que não aqui
A mente enrola-se num caos de pensamentos
Pensamentos que me dizem que não sou capaz
Que não sou suficiente
Que não sou amado
E eu caminho
Perco-me em espirais descendentes
Afundo-me em mim próprio
Cada vez mais fora de mim
Tento imaginar a vida sem este medo
Sem este peso
Paro para tentar perceber o que está acontecer
Percebo que estou numa espiral sem fundo
Por um segundo parece que tudo vai
Que o corpo relaxa 
Como se me pudesse distanciar da loucura 
E ver-me de longe a afundar na espiral
Como se eu já não fosse o eu que está na espiral
Mas logo o medo volta
O terror ocupa-me o corpo
Tento sair do buraco 
Mas quanto mais tento
Mais me arranho
Mais me perco no labirinto da mente
Lembro-me das palavras que me disseram no passado
Lembro-me dos conselhos dos meus guias
Larga
Não cries problemas
Deixa tudo como está
Sente apenas
Algo relaxa mais uma vez
Permito-me sentir
Sinto a dor de estar a sentir
Sinto a dor de estar vivo
Sinto a dor da contração do corpo
Do peso da mente
Sinto a dor de não saber para onde ir 
Sinto a dor de todos os pensamentos que me assombram
E de repente tudo vai
O coração abre 
Como se o vento tivesse levado consigo todas as ideias
Medos 
Emoções
A magia do universo ocupa o meu corpo
Um sorriso cresce na cara 
Parece que cheguei ao fim de mais uma aventura nas terras do medo
Sinto-me em contacto com a simplicidade do momento presente
Com a melodia da vida
Algo ficou mais forte
Como se o corpo tivesse expandido
E aumentado a capacidade de resposta aos testes sagrados que a Vida me traz
No final 
Fica apenas a intensidade da Vida
A felicidade de saber que estou vivo para sentir tudo
Mesmo o que aparentemente me destrói