ARtigo
A Alma Portuguesa está viva
'Temos a oportunidade de expressar a paixão que sentimos pela vida e a coragem que quer ir além da pequena casinha onde achamos que vivemos.'
Quero demonstrar que a Alma Portuguesa está viva, que a paixão que arde nos nossos corações nunca se poderá apagar, que a coragem reside nas profundezas do nosso ser e que aquilo que nos prende é incapaz de vencer a liberdade e o amor que somos capazes de expressar.

Trabalhei em turismo em Lisboa durante muitos anos e reparei que todos os visitantes se mostravam surpresos e fascinados com a humildade, carinho e sentimento de inclusão ou universalidade de espírito, que os Portugueses demonstravam nas primeiras interações. Também através do meu atual professor espiritual, que conheci recentemente e que vive em Portugal há 10 anos, tive um feedback super interessante. Ele reparou nesta capacidade inata que os Portugueses têm de amar o próximo, de aceitar as diferenças e de ser humildes, ou por outra palavras, reparou que os Portugueses têm,em comparação com outras culturas, um coração aberto e curioso. São vários os estrangeiros que vivem em Portugal e que partilham desta opinião.

Cedo reparei que apesar de estes elogios serem reais, raros são os Portugueses que conseguem reconhecer estas características. Ou se o reconhecem, é quase sempre em espanto, ou adicionam sempre algo de negativo, quase como se fosse descabido apontar as grandes qualidades dos Portugueses e esperar uma apreciação sem dizer "sim pois, mas!". Como afirma José Gil "o Português revê-se no pequeno, vive no pequeno, abriga-se e reconforta-se no pequeno".

No entanto, aquilo que são padrões culturais criados ao longo de milhares de anos, não nos define enquanto seres humanos e não significa de todo, que não é possível ir para além daquilo que estamos convencidos (uns mais que outros) que conseguimos fazer.

Tenho orgulho, tal como todos nós, em ser Português. Sou apaixonado pelo meu país, pela minha cultura, pelas minhas gentes. Somos um povo que arde por dentro. Com o coração na boca, expressamos aquilo que nos vai na alma. Queremos viver, queremos amar, queremos chorar, queremos sentir. Quando nos juntamos para celebrar, a energia é contagiante. Se saímos do país, ficamos cheios de saudades e despendemos grande parte do tempo a pensar no dia em que voltaremos a casa.

Acredito que a coragem latente nos nossos corações, vai para além da pequenez característica da nossa cultura. Que a paixão nos corre no sangue e grita em busca do infinito. Um infinito inconcebível para a mente, pois aquilo que vai dentro de nós é demasiado intenso para ser compreendido. Esta paixão quer expressar-se nos ventos do mundo, como em tempos navegou ao colo das caravelas.

Mas há que tomar responsabilidade por esta força, há que não desistir de a expressar, há que deixar a preguiça de lado. Há que quebrar as correntes que nos aprisionam e trazer luz à Alma Portuguesa. Já está na hora de olharmos para nós e reconhecermos as nossas qualidades, pôrmos um ponto final na vergonha e deixarmos a paixão ser a bússola da evolução.

Devido aos acontecimentos atuais no mundo e no nosso país, temos a oportunidade de ver como as limitações que impomos à nossa cultura, nos impedem de ir mais longe, como o medo nos mantém calados e o respeito cego pelos nossos líderes, nos limita na capacidade de criticar e criar novos mundos. Agora temos a oportunidade de ir mais além. Temos a oportunidade de deixar o medo e o síndrome da pequenez para trás. Temos a oportunidade de expressar a paixão que sentimos pela vida e a coragem que quer ir além da pequena casinha onde achamos que vivemos.