Destacar-me como uma Mulher Portuguesa – Standing out as a Portuguese Woman

Por Raquel Perdigão

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Sempre tive medo de me destacar e, ao mesmo tempo, sempre quis ser aquela que se destaca. Como é possível ser as duas coisas ao mesmo tempo? É um exemplo perfeito de dualidade de de querer ser aquela que é alguém importante. Sempre, ao longo da minha vida, tive a vontade de ser alguém. Superior ou inferior. E destacar-me sempre foi algo que tive de lidar com desde que me lembro. Quando era criança, fazendo parte do coro da igreja, eu era a que cantava o “Aleluia”. Todos elogiavam a minha voz. Eu era sempre a escolhida para cantar. Alguns anos depois, inconscientemente, decidi esconder a minha voz. O local ideal para cantar passou a ser a minha casa de banho! Durante e depois do secundário, eu tive alguns anos em que ora tinha as melhores notas ora as piores também. Eu sentia-me a melhor e a pior na escola. Eu tinha amigos introvertidos e extrovertidos, mais velhos e mais novos. Eu não era muito popular, mas fazia parte de um grupo activista ambiental na minha escola, e, ao mesmo tempo, eu era alvo de bullying. Sempre fui muito activa nos trabalhos que tive e isso colocou-me em dois lugares: um em que eu sei tudo e que é perfeito, o que consequentemente me fez sentir superior e outro em que ninguém me queria como colega de trabalho, porque eu brilhava e ofuscava os meus colegas, e que consequentemente me fez sentir inferior. Contemplando agora a razão ou as razões porque eu agi dessa forma, eu acho que  ser o centro das atenções levou-me a uma posição de não querer ser mais “aquela” ou “a que faz isto ou aquilo”, porque ser o centro das atenções sempre foi muito desafiante para mim.

I was always afraid to stand out and at the same time, always wanted to be the one that stands out. How is it possible to be both at the same time? It is a perfect example of duality and wanting to be the one who is someone important. I’ve always, throughout my life, had the will to be someone. Superior or inferior. And standing out has always been something that I have dealt with since I can remember. As a child, being part of the church choir, I was the one singing the “Hallelujah”. Everyone praised my voice. I was always the chosen one to sing it. Some years later, I unconsciously decided to hide my voice. The ideal place for singing became my bathroom! During and after high school, I had my years of being the one that took the best notes and the worst grades too. I felt the best and the worst in my classes. I had extremely introverted friends and extroverts friends, younger and older. I was never very popular, but I was part of the environmental intervention group in my school, and at the same time I was the target of bullying. I was always very active in the works that I had and it put me in two different places: one that knows everything and that it is perfect and that consequently feels superior and one that nobody wants to have as a colleague at work, because it is to shinning and dazzles the others and therefore feels inferior. Contemplating now the reason or reasons why I did this, I assume that to be the center of attention took me to a place of not wanting to be “the one” anymore, because being in the spotlight has always been very challenging for me.

Porque é que é tão desafiante destacar-me? Por tudo aquilo que vivi, por causa da História da Mulher, ser o centro das atenções pode significar ser o alvo a atacar e sendo Portuguesa como eu sou, está-me no sangue que eu sou pequena, tal como o meu país situado no canto da Península Ibérica!

Why is it so challenging to stand out? For all that I have lived, because of the women’s history, being the center of attention can mean to be the target to shoot down and being Portuguese like I am, it’s in my blood that I am small, like my country located in the corner of Iberian Peninsula!

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Ser quem eu sou, da minha parte mais profunda, é como eu me quero expressar agora, sem agir de acordo com o meu condicionamento de superioridade, inferioridade, medo e competição. Esta competição poderá estar activa entre mim e outras mulheres e também entre mim e homens. São os pequenos detalhes do dia a dia que fazem toda a diferença entre um relacionamento íntegro ou um relacionamento baseado em mentiras e manipulação.

Being who I am, in my deepest part, is how I want to express myself now, without acting in accordance with my conditioning of superiority, inferiority, fear and competition. This competition can be active between me and other women and with men. It is in small little daily details that make all the difference between a integral relationship or a relationship based on lies and manipulation.

Pensando na minha profunda base de acção, é usualmente o medo da morte – o medo de ser morta da forma mais sofrida que eu possa imginar! E claro, que eu não quero agir deste medo – eu quero ser livre, eu quero ser a mais profunda e libertadora expressão do quem eu sou: um Universo que cresce e brilha todos os dias. Eu não quero ser melhor ou pior do que outras mulheres e outros homens. Eu não quero ser mais do que aquilo que eu sou.

Thinking about my deepest source of action, it is often the fear of death – the fear of being killed in the most excruciating way I can imagine! And obviously, I do not want to act from this fear – I want to be free, I want to be the most profound and liberating expression of who I am: a universe that grows and shines every day. I do not want to be better or worse than other women and men. I don’t want to be other than what I really am.

E também, me comprometo a expressar-me de uma forma libertadora, com paixão, sem medos, ideias ou expectativas. Estar na televisão mostrando e falando sobre o impulso evolucionário que é a sabe do Projecto Vida Desperta, ou escrevendo de forma transparente acerca da minha vida como um veículo que eu sou neste Universo que quer ser mais e mais a cada dia, sem restrições.

And so, I commit myself to express myself freely, compassionately, without fears, ideas or expectations. Being in television showing and talking about the evolutionary impulse that is the basis of the ALP or writing transparently about my life as a vehicle that I am in this universe who wants to be more and more every day, without restriction.

Afinal, eu posso ser apenas uma das estrelas de uma pequena constelação, mas esta constelação não seria o que é, se eu lá não estivesse.

After all, I may be just one of the stars of a small constellation, but this constellation wouldn’t be what it is, if I was not there.

Raquel Perdigão

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